Vá pro inferno com seu amor

Agonia constante isso sim. Eu deveria contar uma historia, um caso, um acaso do destino ou uma revolta do passado. É muito fácil cavalgar na névoa, não é? Que diferença faz afinal? Eu nunca conseguiria formular as palavras corretamente. Não há o que entender na verdade. Não há o que imaginar. Não pense que é pra você ou que é contra você. As coisas se contradizem por si só. Eu estou evitando raciocinar antes de escrever, apenas o que vem a mente, isso sim é ação. Eu não quero nada mesmo, não tenho nada, e nem vou te dar nada. Fique ai com as mãos estendidas, caro tolo, não vejo a mínima diferença. Agora, tudo isso me parece um looping de palavras, já vi isso em algum lugar antes. Talvez no meu estomago frio, talvez nas minhas mãos tremulas, talvez no meu sorriso dissimulado. Hoje eu acordei nem ai pra nada. Desculpe, mais hoje não quero falar de amor, e não vou falar de amor. Não quero ódio e nem esperança. Descartei a angustia e vou calar o seu silencio. Silencio. Como eu detesto o silencio, como abomino essa palavra ainda que bela e sonora. Sabe o que eu gosto? Distração. Desabafo. Desespero. Sangue. Ah, devo ser rotulada macabra por isso? Desculpe-me, o convencional apenas não me convém mais. Alias, nunca. Eu prefiro o diferente, isso sim é que é palavra. Prefiro apenas o imaginável. E, oh Deus, como eu odeio a espera, como eu odeio a procura e a vontade apenas por ela. Palavras são coisinhas engraçadas, não são? Uma pequenininha pode significar um universo. Enquanto um universo delas, podem significar... nada. Está satisfeito com o nada agora? Veio aqui me ver hoje? Então vá embora! Então saia! Então corra! Então fuja! Então não me olhe com pena, nem com medo. A liberdade é boa, e a libertinagem mais ainda. Ah, como essas palavras me lembram Casmurro, o velho, adorável e já louco Dom Casmurro. Eu deveria ser como tal? É claro que não. Aquele foi traído, correto? Traição, outra palavra que me admira. Assim como ambição. E correção. Tudo se completa. Ele mente. Ela mente. Ele se desculpa. E fim. Fim pros dois, o paraíso acaba ai meus anjos. Eu quero ar. Me de ar, por favor? Um pouco só de luz, de sanidade. Talvez faça bem ao meu ego. Ele esta tão pequeno, agora diante de uma confissão: Eu nunca fiz nada assim antes, nunca, nunquinha. Eu sempre falei de emoções, nunca de sensações. Alias tem tantas coisas sobre as quais nunca falei. Nunca falei de futebol. Me irrita, pronto acabei. Eu nunca falei em inglês, so I do it now. Eu nunca falei sobre comida, ah, e engordei, talvez ajude. Eu nunca falei sobre o meu interior. Ele gira agora. Agora ele grita, chora, bate e canta. Ele sorri, de gargalhadas. Como é gostoso gargalhar, eu deveria fazer isso mais vezes. Eu vou gargalhar com a sua derrota, e como vou. Agora, eu quero mudar o que faço. Vou deixar os espectadores esperando, enquanto a musica toca. Como ela é linda, como é sonora e como me acalma. Eu ODEIO agonia.

Comentários

Postagens mais visitadas