Não tem nada aqui!
Tem alguma coisa aqui dentro batendo, gritando, fazendo barulho. Ao começar as primeiras palavras do meu texto as apaguei, e de novo e de novo. Por que? Porque essa coisa que aqui dentro berra, é a mesma que á horas se mantém em silencio, é a mesma que nunca em vida produziu mais que sussurros. Porque eu não sei como me sinto. Ou talvez, seja porque na verdade, eu saiba. Talvez eu só esteja segurando as lágrimas, prolongando a sensação. Eu tenho pensando tanto ultimamente, tanto. Mais do que eu deveria. Mais do que eu queria. É sempre a mesma agonia, todo fim de tarde. O mesmo perfume. A mesma dor. A mesma glória. Procuro coisas fúteis pra tentar me livrar dessa jaula, mas elas não me ajudam mais. Não me satisfazem como antes. Eu não sei qual o nome do medo que me aflige, também não quero saber. Foi aqui que meus momentos de rebeldia me deixaram. Foi aqui que o meu autocontrole me deixou. Abandonada. Desesperada. Minhas mãos tremem, meus olhos continuam nessa busca incessante por nada. Mas no fundo, eu sei que nenhuma terapia vai me ajudar, nenhum consolo, nenhuma xícara de café. O alivio momentâneo é sempre momentâneo. Minha angustia vai voltar, de tempos em tempos. E eu, eu já devia estar preparada pra outra noite de tormenta.
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